Meu Perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 VERSOS DE CRIANÇA
 RIOLEMBRANDO
 NA DANÇA DAS PALAVRAS
 PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES
 ...LEGGERMENTE FRIZZANTE...
 O MUNDO ENCANTADO DE CECÍLIA MEIRELES


 
ESSÊNCIA


 
 
 
Olá amigos, estou muito feliz porque o blog http://renataemessencia.zip.net
foi um dos 5 escolhidos pelo amigo Manuel Marques a ser agraciado com a premiação.
Aproveito a oportunidade para fazer a homenagem a 5 outros blogs dos quais gosto muito.
A escolha foi difícil pois todos possuem um quê de especial. Todos acrescentam valores, cultura
e alegria à minha essência.
Bom é chegada a hora!
Neste momento escolho os seguintes blogs:
 
1) O Mundo Encantado de Cecília Meireles
2) Na Dança das Palavras
3]Um Céu Azul
4) Doses de Prosas e Versos
5)Aprendendo a Viver
 
Um beijo especial para cada um de vocês escolhidos. Aproveito para comunicar
que estou com um novo blog que em breve substituirá meu blog premiado.
Aguardo a visita de vcs lá no
 
 
Olá amigos, estou muito feliz porque o blog http://renataemessencia.zip.net
foi um dos 5 escolhidos pelo amigo Manuel Marques a ser agraciado com a premiação.
Aproveito a oportunidade para fazer a homenagem a 5 outros blogs dos quais gosto muito.
A escolha foi difícil pois todos possuem um quê de especial. Todos acrescentam valores, cultura
e alegria à minha essência.
Bom é chegada a hora!
Neste momento escolho os seguintes blogs:
 
1) O Mundo Encantado de Cecília Meireles
2) Na Dança das Palavras
3]Um Céu Azul
4) Doses de Prosas e Versos
5)Aprendendo a Viver
 
Um beijo especial para cada um de vocês escolhidos. Aproveito para comunicar
que estou com um novo blog que em breve substituirá este premiado.
Aguardo a visita de vcs lá no http://renataemessencia.blogspot.com/
 
 
 
 
 


Escrito por Renata às 16h57
[] [envie esta mensagem] []



PREZADOS AMIGOS LEITORES

ESSE BLOG ESTÁ PASSANDO POR REFORMULAÇÕES. CADA UMA DAS POSTAGENS SERÁ REAVALIADA.

POR ISSO NÃO HAVERÁ NOVAS POSTAGENS, POR TEMPO BREVE, MAS INDETERMINADO.

AGRADEÇO PELA COMPREENSÃO.

ATENCIOSAMENTE,

 

RENATA CHRISTINA

 

renataemessencia@terra.com.br

 



Escrito por Renata às 19h54
[] [envie esta mensagem] []



MARINA COLASANTI

 

Eu sei mas não devia

 

 Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

 A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos

e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.

E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as

cortinas.

A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já

é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado.

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque

 está na hora.

A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.

A tomar o café correndo porque está atrasado.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.E a pagar mais do que as

coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais.

E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,

para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e

cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor.

Ao choque que os olhos levam na luz natural.

Às bactérias de água potável. A gente se acostuma a coisas demais,

para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber,

vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali,

uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada, a gente

molha só os pés e sua no resto do corpo.

Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila

 e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro a gente

se consola pensando no fim de semana.

E se no fim de semana não há muito o que fazer,

a gente vai dormir cedo e ainda

fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza,

para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas,

sangramentos, para poupar o peito.

<SPAN style="COLOR: black; FONT-FAMILY: 'Comic S



Escrito por Renata às 14h24
[] [envie esta mensagem] []



ESCUTATÓRIA -RUBEM ALVES

 

 

 

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

 

Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer

 

um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.


Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caiero que "não é bastante não ser cego para

 

ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma".

 

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça sobre como são as coisas.


Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.


Parafraseio o Alberto Caiero: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito;

 

é preciso também que haja silêncio dentro da alma".  

 

Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um

 

palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

 

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse

 

ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa

 

incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo,

 

somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que

 

se mudou para os Estados Unidos. Contou-me de sua experiência com os índios.

 

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.  Aí, de repente,

 

alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida

 

seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos

 

que ele julgava essenciais. São-me estranhos.   É preciso tempo para entender o que o

 

outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades:


Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou.

 

Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua

 

(tola) fala. Falo como se você não tivesse falado".


Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há

 

muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou".



Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

 

O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou".

 

E assim vai a reunião.


Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio de dentro. Ausência de pensamentos.

 

E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia antes.

 

Eu comecei a ouvir.


Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios

 

das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma

 

é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica

 

fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes

 

da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.


Para mim, Deus é isto.



Escrito por Renata às 13h14
[] [envie esta mensagem] []



SYLVIA PLATH

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS

 

Eu mesma pedi, esta caixa de madeira

Branca e quadrada como uma cadeira, pesada demais.

Seria o esquife de um anão

Ou de um bebê quadrado,

Não fosse o rumor que vem de dentro.

Está  fechada agora, é perigosa.

Devo zelar por ela a noite inteira

E não posso ir embora.

Não há  saída, é impossível ver o que há nela.

Só uma pequena tela, sem janelas.

Espio pela fresta.

Tudo escuro, escuro,

Pelo enxame zangado de mãos africanas,

Miúdas, prensadas para exportação,

Negro com negro, escalando com ódio.

Soltá-las de que jeito?

O zumbido é o que mais me apavora,

As sílabas incompreensíveis.

São como uma turba romana,

Não são nada sozinhas, mas juntas, meu deus!

Ouço ansiosa esse latim furioso.

Não sou um Cesar.

Só encomendei uma caixa de maníacas.

Posso devolver.

Ou deixá-las morrer, sou a dona, não preciso tomar conta.

Imagino se têm fome.

Imagino se me esqueceriam

Se eu abrisse a tampa e me fosse e virasse árvore.

Um laburno, com suas louras colunas

E anáguas de cereja.

Podiam muito bem me ignorar

Em meu véu funerário, em meu vestido lunar.

Não sou feita de mel.

O que querem de mim?

Amanhã serei Deus, e vou soltá-las enfim.

A caixa é apenas temporária.

 



Escrito por Renata às 14h19
[] [envie esta mensagem] []



POESIA AFRICANA DE EXPRESSÃO PORTUGUESA

Ronda  - Alda Lara

 

 Na dança dos dias

 meus dedos bailaram...
 Na dança dos dias
 meus dedos contaram
 contaram, bailando
 cantigas sombrias...
 
 Na dança dos dias
 meus dedos cansaram...
 Na dança dos meses
 meus olhos choraram
 Na dança dos meses
 meus olhos secaram
 secaram, chorando
 por ti, quantas vezes!
 
Na dança dos meses
 meus olhos cansaram...
 Na dança do tempo,
 quem não se cansou?!
 
Oh! dança dos dias
 oh! dança dos meses
 oh! dança do tempo
 no tempo voando...
 
Dizei-me, dizei-me,
 até quando? até quando?
 

(Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque. Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962).

Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova veio para Lisboa onde concluiu o 7º ano do Liceu.

Freqüentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, licenciando-se por esta última.

 Em Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império.

 Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira

instituiu o Prêmio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra

 e nesse caminho reuniu e publicou um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas,

incluindo a Mensagem.



Escrito por Renata às 14h37
[] [envie esta mensagem] []



CLARICE LISPECTOR

 

"... eu só escrevo quando eu quero,

eu sou uma amadora e faço questão

de continuar a ser amadora.

Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever,

ou então em relação ao outro.

 Agora, eu faço questão de não ser profissional,

para manter minha liberdade."



Escrito por Renata às 15h47
[] [envie esta mensagem] []



20 ANOS DE MORTE DE DRUMMOND - HOMENAGEM AO POETA

 

Resíduo 

(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

 



Escrito por Renata às 15h00
[] [envie esta mensagem] []



ANTONIO GEDEÃO

 

AMOSTRA SEM VALOR


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.

Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:

com ele se entretém

e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,

sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,

que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,

não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida

ignoram todo o homem , dissolvem-no, e, contudo,

nesta insignificância, gratuita e desvalida,

Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

 



Escrito por Renata às 08h44
[] [envie esta mensagem] []



PAULO ROBERTO GAEFKE

 


POESIA DA VIDA

Cuide das impressões que você deixa por aí,

zele pela imagem que você passa para os outros,

mas não invente uma nova pessoa, seja você mesmo,

apenas vigie o seu falar, observe o seu tom de voz,

até palavras carinhosas podem ferir,

dependendo do tom que você usar.

Cuide do amor que você conquistou,

zele pela manutenção do sentimento que os uniu,

cultive a harmonia das idéias, façam planos juntos.

Como na conquista, renove-se todos os dias,

apresente sempre o seu melhor,

arrume-se para a pessoa amada,

mesmo depois de 25 anos de união,

o amor pede renovação, dedicação,

paixão...

Cuide do seu espirito, da sua alma,

a parte mais importante do seu "eu",

cultive a alegria e descubra o prazer de viver,

alegre-se nas coisas mais simples,

no calor do sol, entregue-se ao aquecer,

na força do mar, esvazie-se e fique limpo,

na beleza do céu, sonhe com as nuvens,

na noite estrelada, reconheça a Deus.

Cuide bem de todo mundo que você gosta,

isso é básico e fundamental.

Mas arrume tempo para cuidar de outros,

daqueles que você desconhece,

daqueles que você nem gosta,

praticando a verdadeira caridade,

descobrindo-se capaz de amar de várias maneiras,

de entregar-se á tarefas que julgava-se incapaz,

assim, a obra se faz em você:

você se melhora e descobre que cuidar de alguém,

é na verdade querer-se muito bem,

é ser do bem, é viver o bem,

ser da luz e pertencer a Jesus.

Cuide bem de você!

Eu acredito em você!

 



Escrito por Renata às 15h13
[] [envie esta mensagem] []



LYA LUFT

CANÇÃO DAS MULHERES



Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços

 sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e

não vá embora batendo a porta,

mas entenda que não o amarei menos

porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele

 e não se irrite com minha solicitude,

e se ela for excessiva saiba me dizer isso

 com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e

não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro

goste um pouco mais de mim,

porque também preciso poder fazer

tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense

logo que estou nervosa,

ou doente, ou agressiva, nem diga

que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a idéia

da perda, e ouse ficar comigo

 um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o

outro seja meu cúmplice,

mas sem fazer alarde nem dizendo

''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa

bem inadequada diante de mais pessoas,

o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência,

perco a graça e perco a compostura,

o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível,

sempre necessariamente compreensiva,

mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo

se às vezes me esforço, não sou,

nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas

uma pessoa: vulnerável e forte,

incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa

- uma mulher. "



Escrito por Renata às 15h18
[] [envie esta mensagem] []



MÁRIO QUINTANA

EU QUERIA TRAZER-TE UNS VERSOS MUITO LINDOS


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!



Escrito por Renata às 15h06
[] [envie esta mensagem] []



MÁRIO QUINTANA

OS POEMAS


Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto;

alimentam-se um instante em cada

par de mãos e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...



Escrito por Renata às 10h26
[] [envie esta mensagem] []



CLARICE LISPECTOR

 

 

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.


Que tem que ser vivido até a última gota.


Sem nenhum medo. Não mata."



Escrito por Renata às 09h13
[] [envie esta mensagem] []



POESIA DE OUTRORA

SE EU DE TI ME ESQUECER

Se eu de ti me esquecer, nem mais um riso

Possam meus tristes lábios desprender;

Para sempre abandone-me a esperança,

Se eu de ti me esquecer.

Neguem-me auras o ar, neguem-me os bosques

Sombra amiga, em que possa adormecer,

Não tenham para mim murmúrio as águas,

Se eu de ti me esquecer.

Em minhas mãos em áspide se mude

No mesmo instante a flor, que eu for colher;

Em fel a fonte, a que chegar meus lábios,

Se eu de ti me esquecer.

Em meu peregrinar jamais encontre

Pobre albergue, onde possa me acolher;

De plaga em plaga, foragido vague,

Se eu de ti me esquecer.

Qual sombra de precito entre os viventes

Passe os míseros dias a gemer,

E em meus martírios me escarneça o mundo,

Se eu de ti me esquecer.

Se eu de ti me esquecer, nem uma lágrima

Caia sobre o sepulcro, em que eu jazer;

Por todos esquecido viva e morra,

Se eu de ti me esquecer.

 Bernardo Guimarães

 

(Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, Ouro Preto/MG, 15/08/ 1825 - 10/03/1884)



Escrito por Renata às 13h19
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]